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Assistência · Ensino · Pesquisa

Preservar a fertilidade de quem enfrenta o câncer

O câncer é cada vez mais curável. A fertilidade, na maioria dos casos, ainda não é protegida. O Instituto Preserve existe para fechar a distância entre o diagnóstico oncológico e a preservação da fertilidade, com assistência gratuita a quem não pode pagar.

O câncer no Brasil

A escala do problema

Entre o diagnóstico e a primeira dose de quimioterapia existe uma janela curta. É nela que a fertilidade pode ser protegida — ou perdida para sempre.

704 mil

casos novos de câncer por ano no Brasil

7.930

casos novos por ano em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos

5%

das mulheres tratadas entre 18 e 40 anos foram aconselhadas por um especialista em fertilidade

41%

apontam o custo como a principal barreira para preservar, segundo especialistas brasileiros

Fontes: INCA, Estimativa 2023 (triênio 2023–2025) [1]; Letourneau et al., Cancer, 2012 [5]; Ranniger et al., RBGO, 2024 [6]. Referências completas ao final desta página.

O problema

O tratamento salva vidas e compromete a fertilidade

A quimioterapia e a radioterapia agem sobre células que se dividem rápido. As gônadas estão entre elas. O risco depende da idade, da reserva ovariana, do tipo de droga e da dose — por isso a avaliação precisa ser individual e antes do início do tratamento.

O custo da cura

  • Entre sobreviventes de câncer infantil, 10,9% desenvolvem insuficiência ovariana prematura [2].
  • Aos 40 anos, 9,1% das sobreviventes já estão em menopausa precoce, risco dez vezes maior que o das irmãs [3].
  • Em homens, a criopreservação de sêmen é simples e eficaz, mas ainda não é oferecida de forma universal nem em centros pediátricos [16].

O impacto humano

  • Dez anos após o diagnóstico, mulheres que queriam filhos e não puderam tê-los seguem com sofrimento significativamente maior [4].
  • Em 1.041 mulheres tratadas entre 18 e 40 anos, apenas 5% foram aconselhadas por um especialista e 4% preservaram [5].
  • Quem recebeu aconselhamento especializado teve menos arrependimento e melhor qualidade de vida [5].

A lacuna no Brasil

  • Das pacientes oncológicas encaminhadas, cerca de 60% chegam a preservar. As barreiras são custo (41%), conhecimento ou aceitação do oncologista (35%) e acesso (9%) [6].
  • O sistema é fragmentado: a paciente é tratada no SUS e a reprodução assistida está concentrada no setor privado [6].
  • Em países de renda média, 40% dos médicos que tratam câncer de mama nunca consultaram uma diretriz de preservação [7].

O que a ciência já permite

As técnicas deixaram de ser experimentais

O que falta não é tecnologia. É acesso organizado, no tempo certo, para quem não pode pagar.

O que dizem as diretrizes

  • ASCO, ESHRE e ESMO recomendam discutir o risco de infertilidade com todo paciente em idade reprodutiva, ou com os pais da criança, o mais cedo possível, e documentar a conversa [8, 9, 10].
  • A criopreservação de sêmen, óvulos e embriões é prática padrão [8].
  • A criopreservação de tecido ovariano deixou de ser considerada experimental em 2019 [11] e é a única opção para meninas pré-púberes.
  • A estimulação ovariana pode começar em qualquer fase do ciclo, com o mesmo rendimento [12].

O que a literatura mostra

  • Em 285 mulheres que reimplantaram tecido ovariano criopreservado em cinco centros europeus, cerca de uma em cada quatro teve um filho [14].
  • Entre a primeira consulta e a liberação para a quimioterapia com estimulação de início aleatório passam-se de duas a três semanas [12].
  • Em câncer de mama, meta-análise de 15 estudos (n = 4.643) não mostrou piora de recidiva nem de mortalidade após estimulação para preservação, inclusive em tumores hormônio-sensíveis [13].

Um alerta honesto

Em uma coorte francesa acompanhada por doze anos, apenas 6,9% das mulheres voltaram para usar os óvulos armazenados e 80% dos nascimentos foram espontâneos [15]. Preservar é comprar a opção de decidir depois. Não é garantia de gravidez, e nenhum serviço sério promete isso.

O Instituto

Uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2023

O Instituto Preserve é uma organização da sociedade civil sediada em São Paulo. Sua finalidade é preservar a fertilidade de pacientes vulneráveis que vão se submeter a quimioterapia ou radioterapia, reunindo assistência, ensino e pesquisa no mesmo espaço e com a mesma equipe.

Assistência

Atendimento gratuito a pacientes do SUS e a quem não pode pagar, com critérios sociais transparentes, do encaminhamento à criopreservação e ao acompanhamento depois do tratamento.

Ensino

Formação de ginecologistas, oncologistas e embriologistas, e capacitação de equipes de oncologia da rede pública para reconhecer a indicação e encaminhar no tempo certo.

Pesquisa

Registro nacional de casos e desfechos, hoje inexistente no Brasil, e linhas de investigação em maturação in vitro de oócitos, fármacos gonadoprotetores e cultivo de tecido ovariano.

Assistência

Um fluxo desenhado para a janela de tempo do paciente

Este é o fluxo de assistência desenhado para o Instituto, cuja estrutura própria está em implantação. O encaminhamento poderá ser feito pelo oncologista, pela equipe do serviço de oncologia ou pelo próprio paciente e sua família, de qualquer lugar do país.

  1. Primeira consulta em até 48 horas

    Avaliação por telemedicina em até 48 horas do encaminhamento, para qualquer lugar do país, sem que o paciente precise viajar antes da hora.

  2. Discussão com a equipe de oncologia

    O caso é discutido com a equipe do oncologista para definir a conduta e a data-limite de início do tratamento. A oncologia manda no calendário.

  3. Preservação em duas a três semanas

    Estimulação de início aleatório, coleta e criopreservação de óvulos ou embriões. Criopreservação de tecido ovariano por videolaparoscopia quando não há tempo hábil ou em meninas pré-púberes.

  4. Homens e adolescentes

    Criopreservação de sêmen, com banco criogênico rastreável e armazenamento de longo prazo, nos termos previstos na RDC ANVISA 771/2022.

  5. Gratuidade e critérios transparentes

    Atendimento gratuito a pacientes do SUS e a quem não pode pagar, por critérios sociais públicos e auditáveis.

  6. Retorno depois da cura

    Acompanhamento pós-tratamento para o momento em que o paciente decidir usar o material preservado — ou decidir não usar.

Ensino e pesquisa

Formar quem vai multiplicar o acesso

Um centro sozinho não resolve um problema nacional. O Instituto forma profissionais e produz dados para que a preservação vire rotina na rede que já atende o paciente oncológico.

Formação e capacitação

  • Fellowship em preservação de fertilidade para ginecologistas, oncologistas e embriologistas, com treinamento em cirurgia minimamente invasiva.
  • Capacitação de equipes de oncologia do SUS para reconhecer a indicação e encaminhar no tempo certo, atacando a barreira de conhecimento apontada na literatura [6, 7].
  • Cursos e eventos científicos abertos à comunidade médica.

Pesquisa e registro

  • Registro nacional de casos e desfechos, hoje inexistente no Brasil, para gerar dados próprios sobre retorno, gestação e nascidos vivos.
  • Linhas de pesquisa em maturação in vitro de oócitos, fármacos gonadoprotetores e cultivo de tecido ovariano.
  • Todo protocolo submetido a comitê de ética em pesquisa [9].

Estrutura

Um centro de referência integrado

O projeto do Instituto reúne, num mesmo endereço, o que hoje está espalhado entre serviços que não conversam entre si.

Telemedicina

Centro de triagem nacional e discussão de casos com equipes oncológicas de todo o país.

Consultórios e ultrassonografia

Cinco consultórios e quatro salas de ultrassonografia para avaliação de reserva ovariana e monitorização.

Centro cirúrgico

Videolaparoscopia e recuperação pós-anestésica, para coleta de óvulos e de tecido ovariano.

Laboratório e banco criogênico

Laboratório de reprodução assistida e banco criogênico, projetados para operar sob autorização da ANVISA nos termos da RDC 771/2022.

Espaço de ensino

Sala de treinamento para o fellowship e para a capacitação de equipes externas.

Administração

Área administrativa e de governança, com prestação de contas às instâncias do Instituto.

Como apoiar

Cada paciente que paga sustenta ao menos um que não pode pagar

A sustentabilidade do Instituto é desenhada em quatro frentes, para que a gratuidade não dependa de uma única fonte de recursos.

Subsídio cruzado

O atendimento a pacientes particulares e a convênios gera excedente, e esse excedente financia a gratuidade. É o mecanismo central do modelo.

Convênios públicos

Termos de fomento e convênios com o SUS, estados e municípios para a preservação de pacientes oncológicos da rede pública.

Doações e incentivos

Doações de pessoas físicas e jurídicas, emendas parlamentares, editais, leis de incentivo e parcerias com hospitais oncológicos e com a indústria.

Ensino

Cursos, fellowship e eventos científicos como receita recorrente, que ao mesmo tempo cumprem a finalidade estatutária de formação.

Perguntas frequentes

O que pacientes e médicos mais perguntam

Quanto tempo a preservação da fertilidade atrasa o tratamento do câncer?

Com a estimulação ovariana de início aleatório, passam-se de duas a três semanas entre a primeira consulta e a liberação para a quimioterapia [12]. A estimulação pode começar em qualquer fase do ciclo menstrual, com o mesmo rendimento, o que elimina a espera pela menstruação seguinte. A data-limite é sempre definida junto com a equipe de oncologia: quem manda no calendário é o tratamento do câncer.

A estimulação ovariana é segura para quem tem câncer de mama?

A evidência disponível é tranquilizadora. Uma meta-análise de 15 estudos, com 4.643 mulheres, não mostrou piora de recidiva nem de mortalidade após estimulação ovariana para preservação de fertilidade, inclusive em tumores hormônio-sensíveis [13]. A decisão continua sendo individual e tomada em conjunto com o oncologista responsável.

Existe opção de preservação de fertilidade para meninas que ainda não menstruaram?

Sim. A criopreservação de tecido ovariano é a única opção para meninas pré-púberes, porque não depende de estimulação hormonal nem de ciclo menstrual. Deixou de ser considerada técnica experimental em 2019 [11]. O tecido é retirado por videolaparoscopia e congelado para reimplante futuro.

E para homens e adolescentes do sexo masculino?

A criopreservação de sêmen é simples, rápida e eficaz, e deveria ser oferecida a todo paciente em idade reprodutiva antes do início do tratamento. Na prática, ainda não é oferecida de forma universal, sobretudo em centros pediátricos [16]. O banco criogênico do Instituto, com rastreabilidade e armazenamento de longo prazo, integra o projeto do centro.

Preservar a fertilidade garante que eu vou conseguir engravidar depois?

Não. Preservar é comprar a opção de decidir depois, não uma garantia de gravidez. Na série de 285 mulheres que reimplantaram tecido ovariano em cinco centros europeus, cerca de uma em cada quatro teve um filho [14]. Em uma coorte francesa de doze anos, apenas 6,9% das mulheres voltaram para usar os óvulos armazenados e 80% dos nascimentos foram espontâneos [15]. O Instituto não promete resultado clínico e não divulga taxa própria de sucesso.

Quem tem direito ao atendimento gratuito no Instituto Preserve?

Pacientes do SUS e pacientes que não têm condição de pagar, avaliados por critérios sociais transparentes, que o Instituto publicará integralmente. A gratuidade é financiada pelo excedente do atendimento particular e de convênios, por convênios públicos e por doações. A meta declarada do Instituto é que cada paciente que paga sustente ao menos um paciente que não pode pagar.

Como um oncologista encaminha um paciente ao Instituto Preserve?

Basta entrar em contato pelo e-mail institucional diretoria@preserve.org.br. A meta do Instituto é que a primeira consulta por telemedicina aconteça em até 48 horas do encaminhamento, de qualquer lugar do país, com o caso discutido com a equipe que trata o câncer antes de qualquer conduta. O encaminhamento também pode partir do próprio paciente ou da família.

O Instituto Preserve atende em todo o Brasil?

A triagem e o aconselhamento serão nacionais, por telemedicina. Os procedimentos presenciais de coleta e criopreservação serão realizados na sede, em São Paulo. Parte do trabalho de ensino do Instituto existe justamente para que outros serviços do país possam realizar a preservação localmente.

Transparência

Quem responde pelo Instituto

O Instituto Preserve é uma associação civil sem fins lucrativos, com estatuto registrado, escrituração própria e prestação de contas às suas instâncias de governança.

Razão social
Instituto Preserve
Natureza jurídica
Associação civil sem fins lucrativos (organização da sociedade civil)
CNPJ
52.143.170/0001-29
Fundação
2023, em São Paulo (SP)
Governança
Assembleia geral de associados, diretoria executiva, de operações, financeira e de marketing, e conselho fiscal. Mandato da diretoria atual até junho de 2027.
Diretor executivo
Prof. Dr. Fernando Prado Ferreira · CRM-SP 103.984 · RQE 391631
Situação fiscal
Declaração de imunidade tributária como instituição de assistência social. Conta bancária institucional ativa.
Assembleias
Assembleias gerais ordinárias realizadas anualmente desde 2023, com atas levadas a registro no 10º Registro de Títulos e Documentos de São Paulo.

Contato

Preservar é dar tempo e escolha

Para encaminhar um paciente, propor uma parceria, apoiar o Instituto ou pedir informações sobre ensino e pesquisa, escreva para a diretoria.

E-mail institucional

diretoria@preserve.org.br

Instituto Preserve · São Paulo, SP · CNPJ 52.143.170/0001-29

Referências

As afirmações desta página se apoiam na literatura científica indicada abaixo. Os números citados são de fontes públicas; o Instituto Preserve não divulga taxa própria de resultado.

  1. INCA. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022 (vigente para o triênio 2023–2025).
  2. Chemaitilly W et al. Premature ovarian insufficiency in childhood cancer survivors: St. Jude Lifetime Cohort. J Clin Endocrinol Metab 2017;102(7):2242-50.
  3. Levine JM et al. Nonsurgical premature menopause and reproductive implications in survivors of childhood cancer: CCSS. Cancer 2018;124(5):1044-52.
  4. Canada AL, Schover LR. The psychosocial impact of interrupted childbearing in long-term female cancer survivors. Psychooncology 2012;21(2):134-43.
  5. Letourneau JM et al. Pretreatment fertility counseling and fertility preservation improve quality of life in reproductive age women with cancer. Cancer 2012;118(6):1710-7.
  6. Ranniger RL et al. Fertility preservation in female cancer patients in Brazil: perceptions and attitudes of infertility specialists. Rev Bras Ginecol Obstet 2024;46:e-rbgo25.
  7. Khan SZ et al. Knowledge, practice, and attitudes of physicians in LMICs on fertility and pregnancy-related issues in young women with breast cancer. JCO Glob Oncol 2022;8:e2100153.
  8. Oktay K et al. Fertility preservation in patients with cancer: ASCO Clinical Practice Guideline Update. J Clin Oncol 2018;36(19):1994-2001.
  9. ESHRE Guideline Group on Female Fertility Preservation. ESHRE guideline: female fertility preservation. Hum Reprod Open 2020;2020(4):hoaa052.
  10. Lambertini M et al. Fertility preservation and post-treatment pregnancies in post-pubertal cancer patients: ESMO Clinical Practice Guidelines. Ann Oncol 2020;31(12):1664-78.
  11. Practice Committee of the ASRM. Fertility preservation in patients undergoing gonadotoxic therapy or gonadectomy: a committee opinion. Fertil Steril 2019;112(6):1022-33.
  12. Cakmak H et al. Effective method for emergency fertility preservation: random-start controlled ovarian stimulation. Fertil Steril 2013;100(6):1673-80.
  13. Arecco L et al. Safety of fertility preservation techniques before and after anticancer treatments in young women with breast cancer: systematic review and meta-analysis. Hum Reprod 2022;37(5):954-68.
  14. Dolmans MM et al. Transplantation of cryopreserved ovarian tissue in a series of 285 women: a review of five leading European centers. Fertil Steril 2021;115(5):1102-15.
  15. Zimmermann A et al. Fertility preservation through oocyte or embryo vitrification prior to oncological treatment: a 12-year experience. J Assist Reprod Genet 2025;42(5):1453-9.
  16. Anderson RA et al. Cancer treatment and gonadal function: experimental and established strategies for fertility preservation in children and young adults. Lancet Diabetes Endocrinol 2015;3(7):556-67.